top of page

Blog

Auê - A Fé Ganhou - Análise Bíblica

Análise Bíblica da música Auê - A Fé Ganhou, de Marco Telles.
Análise Bíblica da música Auê - A Fé Ganhou, de Marco Telles.

Quando a poesia é bonita… mas o Evangelho está ausente.


Meus amores... Eu não fujo de polêmicas, não senhor. E vim compartilhar o que eu vi e o que eu não vi na tal música, Auê. Pode ser Poética. Sensível. Emocionante. Culturalmente rica.

Mas, ao prestar atenção na letra com a Bíblia aberta, é impossível não se incomodar profundamente.

Devo ainda dizer que não ouvi a música nem assisti ao clipe, portanto estou analisando a LETRA. Não conheço o autor e outros participantes e procurei não saber, além de não ter ouvido ou assistido nenhuma crítica | análise antes de escrever (fazer) a minha. Por quê? Porque o meu objetivo não é fazer uma análise pessoal (contra ou favor das pessoas envolvidas) ou técnica, no sentido sociocultural, musical, literário e poético, mas simplesmente bíblica e crua. Desejo fazer uma análise do jeito mais simples, com o conhecimento que tenho sobre a mensagem do evangelho, espelhando as primeiras impressões de uma pessoa comum.


E já adianto: É uma letra AMBÍGUA.

A coisa é tão séria que podemos ver problemas não só no que a letra diz mas também no que ela não diz.


Auê - palavra usada para expressar bagunça, confusão. Pronto, já dava pra terminar a análise aqui. Deus é um Deus de ordem. Mas vamos prosseguir.


A primeira impressão: graça, acolhimento, pertencimento

A letra fala sobre queda, falhas, ser levantado, encontrar lugar, ser aceito. Tudo isso, à primeira vista, soa muito cristão.

Afinal, o Evangelho fala de pecadores sendo alcançados pela graça.


Mas, conforme a música avança, percebemos um detalhe crucial:

  • Não aparece Deus

  • Não aparece Cristo

  • Não aparece arrependimento

  • Não aparece cruz

  • Não aparece transformação

  • Não aparece santidade


Só aparece acolhimento emocional.


“Pode entrar, eu ouvi” — quem pode entrar? Onde?

A música começa com uma porta aberta.

Mas não sabemos:

  • Quem está entrando

  • Quem está autorizando a entrada

  • Que lugar é esse


No Evangelho, quando alguém entra, sabemos exatamente onde está entrando:

“Eu sou a porta” — disse Jesus.

A entrada bíblica sempre tem um nome. Sempre tem um caminho. Sempre tem uma condição: arrependimento.

Aqui, a porta é espiritual… mas sem dono.


“Com a folha, eu aprendi como se deve cair”

Essa ideia é profundamente antibíblica.

A Bíblia nunca ensina o cristão a aprender a cair. Ela ensina a vigiar para não cair.

Cair é fraqueza, é pecado, é acidente — não pedagogia espiritual.

Romantizar a queda é algo muito comum na espiritualidade moderna, mas não no Evangelho.


“Você quer me levantar” — quem é esse “você”?

Em toda a letra, existe um “você” que acolhe, levanta, recebe.

Mas esse “você” nunca tem nome.

No cristianismo bíblico, quem levanta o pecador tem nome:

Jesus Cristo.

Quando a música evita nomear quem salva, ela abre espaço para qualquer leitura espiritual.

E isso é extremamente perigoso.


O ponto sensível: Zé, Maria, samba, cor, céu que aprova

A letra fala:

“Agora que o Zé entrou…”“Agora que a Maria sambou…”“Alguém se incomodou, mas o céu coloriu”

Aqui a mensagem fica clara:

Não é sobre pecadores sendo transformados.

É sobre pessoas rompendo padrões sociais e isso sendo celebrado como fé.


No Evangelho:

  • Zaqueu entra → se arrepende

  • A mulher adúltera → “vá e não peques mais”

  • O pecador → é confrontado antes de ser consolado

Aqui não há confronto. Só validação.


A fé é apresentada como um espaço onde todos podem ser quem são, se expressar livremente, romper padrões — e isso é celebrado pelo céu.

Mas bem sabemos que isso não é a mensagem da cruz.


>> Neste trecho da música, eu ainda quero destacar um ponto importante, mas antes preciso deixar bem claro que se trata de uma impressão minha e não de algo que a música deixa óbvio. No entanto, o fato da letra ser ambígua, por escolha do autor, me permite conjecturar com meu INSTINTO ESPIRITUAL.

Quem conhece um pouco sobre religiões de matriz africanas, como Candomblé e Umbanda, e que são muito fortes na cultura brasileira, principalmente no norte e nordeste, inevitavelmente irá conectar: "Agora que o Zé entrou e todo mundo viu

E todo mundo olhou, e todo mundo riu"


A entidade Zé Pilintra manifesta-se na Umbanda e no Catimbó como um mestre boêmio e protetor, conhecido por sua "malandragem do bem".


Comportamento: Chega com um gingado, rindo alto e demonstrando grande senso de humor...


"Agora que a fé ganhou e a Maria sambou

Sua saia balançou, alguém se incomodou

Com a cor que ela mostrou..."


A entidade Maria Padilha, uma das pomba giras mais conhecidas na Umbanda e Candomblé, manifesta-se com energia forte, sensual e independente.


Comportamento: Apresenta-se como uma mulher empoderada, elegante e direta. Assim como muitas Pombagiras na Umbanda e Quimbanda, costuma se manifestar girando, frequentemente rodando a saia como parte do seu movimento e dança ritualísticos.


Veja, o autor poderia ter escolhido outros nomes ou personagens, com outras características, mas decidiu exatamente por estas. Por quê? Ao ver a letra pela primeira vez, sem nenhuma outra influência, fui automaticamente remetida a essa impressão. Se não era o objetivo do autor, sinto muito, falhou comigo.


“Dança na ciranda da fé”

A fé bíblica é:

  • negar-se a si mesmo

  • tomar a cruz

  • morrer para o mundo

  • ser transformado


Aqui, a fé vira: uma experiência coletiva, emocional, cultural, expressiva.

Isso é espiritualidade humanista com estética cristã.


Auê, dança na ciranda da fé

Que te abriu as portas


Na Bíblia, quem abre portas espirituais é:

Cristo.

Aqui, quem abriu foi a ciranda da fé.

Ou seja: o movimento coletivo espiritual abriu acesso.

Isso é linguagem muito próxima de experiências ritualísticas espiritualistas, não do Evangelho.


O maior problema: a ambiguidade

Essa é a questão central.

A música é ambígua o suficiente para:

  • parecer cristã

  • não ser cristã

  • emocionar

  • não confrontar

  • falar de fé

  • sem falar de Cristo


E isso não pode acontecer com a mensagem do Evangelho.


O Evangelho verdadeiro não é ambíguo

O Evangelho não precisa ser maquiado culturalmente para ser aceito.

Ele nunca foi.

Na verdade, ele sempre foi o oposto:

Primeiro ele confronta o pecado. Depois ele conforta com a salvação.

O Evangelho não começa com pertencimento. Ele começa com arrependimento.

Não começa com acolhimento. Começa com convicção.

Não começa com dança. Começa com cruz.


Cristo é a mensagem

Uma mensagem pode ser poética. Pode ser sensível. Pode ser culturalmente bonita.

Mas, se ela não tem:

  • Cristo como centro

  • A cruz como fundamento

  • O arrependimento como porta

  • A santidade como caminho


Ela não está comunicando o Evangelho.

Pode estar comunicando espiritualidade. Pode estar comunicando inclusão. Pode estar comunicando emoção.

Mas não está comunicando salvação.


Evangelho é cruz

A cruz não é poética. A cruz é ofensiva.

E é justamente por isso que ela salva.

Qualquer mensagem que fale de fé, céu, graça, pertencimento — mas evite a cruz — está oferecendo conforto sem transformação.

E isso nunca foi o cristianismo bíblico.

Precisamos reaprender a fazer uma pergunta simples diante de qualquer música, mensagem ou conteúdo dito “cristão”:

Onde está Cristo nisso?

Se Cristo não está claramente ali, então não é o Evangelho.


A minha análise se encerra por aqui. Agora é com você. Me conta aqui nos comentários se você concorda com ela ou se você tem outra opinião.


Nos vemos no próximo post.

Fique na Paz do Senhor,

Um beijo e um Cheiro. 😘



Quer ter acesso à CONTEÚDOS, GRUPOS, MATERIAIS, POSTS, PRESENTES EXCLUSIVOS e receber as notificações das NOVIDADES em primeira mão, direto no e-mail?

Torne-se Membro! É GRÁTIS, você não paga nada mesmo.

Basta clicar no botão abaixo.


Comentários


Conheça os Produtos da Lojinha

bottom of page